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& Depoimentos |
- Meu caro Paulo Rubem,
Quero parabenizá-lo pelo excelente site mantido por você, que, acima de tudo, traz de volta à nossa lembrança os dias que passamos no Pedro II, mas que também faz justiça à instituição que nos formou, e a que todos nós devemos os passos seguros que temos dado pela vida afora.
Espero contribuir para a seção "Alguns dos livros escritos por Ex-alunos" lembrando o jornalista Vivaldo Coaracy, o V. Cy, que dirigiu a sucursal Rio do Estado de São Paulo até a sua interdição e expropriação pelo Estado Novo. Coaracy estudou no Internato de 1895 a 1900 e faz um relato extenso e comovente do ambiente que encontrou no Internato daqueles tempos, muito parecido com o que encontrei, 60 anos mais tarde ( Todos Contam sua Vida, 1ª. edição, 1959, pág. 175 ). Coaracy estudou no Internato já no Campo de São Cristóvão, o que contradiz a sua permanência na Chácara da Mata até 1916.
O livro mais antigo, de que eu tenho conhecimento, que descreveu a criação e a história do Pedro II, desde o século XVIII, como Seminário de São Joaquim, é "Um Passeio pela Cidade do Rio de Janeiro" de Joaquim Manuel de Macedo ( 1ª. edição, 1862 ).
Essas contribuições, que já encaminhei também para o site www.pedrosegundointernato.com.br, têm a única intenção de tentar enriquecer ainda mais as duas páginas, já tão ricas e bem elaboradas, uma por você e a outra pelo Raimundo Álvaro Rêgo Barros, o Pará.
Humberto Rocha
Internato, 1956 - 1963
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- “ O Colégio Pedro II não era apenas um colégio padrão,
ele foi o colégio que representou a primeira escola de democracia na minha
vida, porque lá, através do uniforme tradicional, a gente se iguala ao rico,
ao pobre, ao remediado. Não tinha discriminação. Eu estudei de 1952 a 1958
na Marechal Floriano, sede do Pedro II, no miolo da cidade; enfim, acompanhando
os movimentos políticos da cidade, participando de todos eles, fazendo manifestações
de rua.” ( José Carlos Araújo)
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2- E, no entanto, vejam vocês: - a poesia do jornal está, por vezes. Na
notícia miúda, no registro pequeno, em tipo liliputiano. Ainda ontem, por
exemplo, eu li um simples texto-legenda que é uma preciosidade. Imaginem vocês
que o Pedro II ganhou os Jogos da Primavera, a maior olimpíada do mundo! Claro
que houve, lá no velho e eterno Colégio, uma euforia brutal.
3- E o Pedro II resolveu trazer para a rua sua alegria fabulosa. Houve
passeata, escarcéu, correrias, o diabo. Amigos, o brasileiro servil teve a
reputação de povo triste. E, de fato, o sujeito não dá um passo, aqui, sem
esbarrar numa melancolia, sem tropeçar numa depressão. Nas esquinas, nos botecos,
há sempre um brasileiro pingando hipocondria. Lembro-me de um turista que
perguntava intrigadíssimo: - ‘Quem é que morreu?
4- De fato, temos por vezes o ar de quem chora um imaginário defunto.
Mas se este povo é triste, há uma imensa, jocunda, deslumbrante exceção: -
o aluno do PedroII. Tenho um amigo meu que vive rosnando: - Nesta terra, até
as cadeiras são neuróticas.
- Ao que eu responderia: - Menos as cadeiras do Pedro II -. Porque, lá, os móveis
também são coniventes no humor dos alunos.
5- Uma das mágoas que eu tenho na vida é a de não Ter sido, na minha infância
ou juventude, aluno do Pedro II. Andei por colégios mais lúgubres do que a
casa do Agra. Mas há, em mim, até hoje, a nostalgia de não Ter estudado ou
fingido que estudava lá. A rigor, não são os professores que me interessam
no Pedro II. Nem os seus problemas de ensino. O que me deslumbra no aluno
do Pedro II não é o estudante, mas o tipo humano. Ele deve ser um mau aluno
(tomara que seja), mas que natureza cálida, que apetite vital, que ferocidade
dionisíaca.
6 – Olhem para as nossas ruas. Em cada canto, há alguém conspirando contra
a vida. Não o aluno do Pedro II. Há quem diga, e eu concordo, que ele é a
única sanidade mental do Brasil. E, realmente, não há por lá os soturnos,
os merencórios, os augustos dos anjos. Os outros brasileiros deveriam aprender
a rir com os alunos do Pedro II.
7- Volto ao texto-legenda. Em poucas linhas está descrita a comemoração
da vitória. E não se lê, no jornal, uma palavra de simpatia, e pelo contrário:
- é evidente a irritação. Quem redigiu a nota está indignado com a euforia
total dos estudantes. Mas reparem como o jornal hipocondríaco está sendo bem
brasileiro. De fato, nós somos uns ressentidos contra a alegria, e repito:
- a alegria ofende e humilha os impotentes do sentimento.
8- Por fim, o colega chama os meninos de ‘pequenos vândalos’. Não se pode
desejar uma incompreensão mais nostálgica. Por que ‘vândalos’? Porque andaram
quebrando umas cadeiras e, sobretudo, porque andaram chupando chica-bom sem
pagar. Vamos admitir, risonhamente, que é lamentável. Mas nunca houve um 7
de setembro, ou um 14 de junho, sem atropelos inevitáveis. Os apertões cívicos
derrubam senhoras, asfixiam menores. E nas procissões há quem bata carteira,
ou atropele, ou desmaie. Vamos concluir que os patriotas e os devotos são
vândalos?
9- Numa terra de deprimidos, o alegre devia ser carregado na bandeja como
um leitão assado. E devíamos subvencionar o Pedro II para inundar a cidade,
diariamente, com a sua alegria total, ululante. E vamos arrancar a máscara
de nossa hipocrisia. Pois, no fundo, invejamos amargamente a garotada que
lambeu de graça tanto chica-bom.”
(Nelson Rodrigues – Diário Carioca,
29/9/1963)
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“ Ao término desta
crônica, com certeza, Nelson lançou o seu indefectível ‘É só!’
Ser aluno do Pedro II era ser
amado por muitos e, a bem da verdade, até intolerado por outros. Em muitas
oportunidades, ele contou com carinho e solidariedade ou crítica e desaprovação
de várias personalidades do mundo intelectual brasileiro.
Grande, Nelson Rodrigues!”
( Ovídio J. Guilhon)
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Últimas Saudades |
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Ao
nosso Pedro II |
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| Busquei na noite, a madrugada em meio, quando o silêncio fala de saudade, desta saudade que ao meu peito veio lembrar-me em sonhos
minha mocidade, Para rever-te, altivo e solitário, cerradas portas para o mundo afora, como a guardar, em doce relicário, Pedro Segundo, os
sonhos meus de outrora. Deserta a rua, povoado o peito, minh’alma adentra a porta secular: tal qual deixei, te encontro: o mesmo jeito, minhas saudades todas no lugar! Em frente à porta de entrada, no meio do corredor, vejo a turma engalanada num quadro feito de amor! (Ah, Deus, meu Deus da juventude eterna. A fonte milagrosa vim buscar! E esta saudade doce que se interna dentro em meu peito é que me faz chorar!)
Amigos eu voltei pra vadiar. Suspirem todas, todos os meus amores, primos amores, eu
voltei p’ra amar!
Meu velho Mestre Aurélio, que imortal, a Academia Brasileira fez: eu quero novamente levar ‘pau’ pra ver se agora aprendo Português!
Dona Luísa, Floriano amigo, meus inspetores de primeiros bancos: voltem de novo! Venham ver comigo o alvorecer destes cabelos brancos!
Querido Fontes, de aparência austera, rigor na face, mas no olhar ternura; meu coração pelo teu grito espera: - Sala, menino! Deixa de frescura!
Volto à rua, é claro o dia e na minha nostalgia aguardo aberto o sinal; e sinto a mão carinhosa sublimemente zelosa, do velho Guarda Amaral!
Deus, meu Deus, quanta saudade! Meu Deus, por que envelheci! Se ao lembrá-lo, na verdade, ou menino, não cresci!
Jesus, dizei-me a verdade: quando eu deixar este mundo, haverá na eternidade um outro Pedro Segundo?
( Amaury Fernandes Da Silva
- “Ao Pedro II, Tudo ou Nada?
– p 345)
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“Parabenizo entusiasmado a todos pela idéia deste trabalho tão comovido e saudoso em que revivem os prazerosos anos da adolescência passados no nosso Pedro II.
É uma obra que, por sua modernidade e inteligência de concepção, consegue me trazer de volta vocês: vivos, jovens, inteiros e sonhadores e, por outro lado, me fazer reviver meus 24 anos de lembranças tão distantes mas tão queridas.
Obrigado, pois, pela oportunidade de “reencontrá-los” e, aproveitando, desejar--lhes carreira vitoriosa para o “Ao Pedro II Tudo ou Nada?” TUDO!!!”
Carinho do Professor Pimenta
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“Além de um marco na Educação do país, o Pedro II é um estado de alma, de alegria permanente.”
Mario Lago
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“Tão pouco tempo falta para o término das aulas... Tenho pensado nas despedidas ... Não nos clássicos ´até para o ano`, ´boas férias`, e sim naquele adeus pleno de emoção que vem do fundo de nossa alma... Que sacrifício para nós acompanhar os colegas do terceiro científico até o portão e desejar felicidades na vida lá fora, sentir com eles o sofrimento de vestir pela última vez o uniforme de nosso querido Colégio...
Então, com seu passo silencioso, vem vem a saudade abrigar-se em nossos corações, lembrando os que vão, levando recordações dos que ficam... As salas de aula, turmas, os colegas, professores, inspetores, todos enfim... Este prédio rosa, de fachada imponente, o pátio, o Grêmio... ah o Grêmio... Este é o maio capítulo da nossa história. Quantas amizades, quantas alegrias... Bate-papos, brincadeiras, pingue-pongue, coleguismo, as festas, os jogos, mais recentemente a charanga... E a Tabuada... Cada vez que ouvimos o ´Pedro II, tudo ou nada?` o peito e o coração se inflamam, o corpo estremece e o orgulho brilha em todos os olhares naquele grito ardente: ´Tudo!`.
Como passar, simplesmente, sete anos nesse colégio sem vibrar por ele, sem sentir nele toda uma vida de alegria? Como não se ir como os colegas que partem, sem parar um instante olhando para trás e querendo ter de novo 11 anos?... Como não derramar lágrimas de saudade antecipada pelo término de seu tempo de aluno do Colégio Pedro II?... Resta apenas o consolo de que serão sempre lembrados e de que (quem sabe?) ainda voltarão a essa casa trazendo pela mão o seu filho...
Felicidades, amigos que se despedem. Procuraremos continuar honrando nosso Grêmio e nosso Colégio Pedro II, o Colégio Padrão do Brasil.”
Maria Cristina Faissal – Seção Norte – 3ª s. Ginasial - 1962
(p. 333 – Livro: “Ao Pedro II Tudo ou Nada?”)
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“O Pedro II é um colégio maravilhoso. Na minha época, ele marcou toda uma geração. Meus colegas e eu temos muitas lembranças fascinantes do Pedro II. Era como uma família. Você tinha pai, mãe, irmãos e depois o Colégio Pedro II. O colégio tinha tradição, tinha professores fantásticos, professores cheios de verve, cheios de cultura, e alguns deles permanecem até hoje. Eu acho que o Pedro II foi um marco na vida de todos nós”
Turíbio Santos
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Colégio Pedro II, Este Santuário Educacional
“A seriedade e a qualidade de ensino sempre foram as metas do Colégio Pedro II. Ainda no século XIX, quando foi criado, inclusive, para combatera pobreza, o CPII já tinha em seu espírito a obrigatoriedade de educar... ensinando aquilo de que mais necessitamos nos dias de hoje – COMPETÊNCIA.
O pioneirismo do CPII, com relação as melhores formas de educação, aliadas às competências de seus professores, faz com que ecoem de norte a sul os mais dignificantes resultados individuais de seus alunos, estando eles à frente de organismos públicos ou privados, como líderes, gerentes e até mesmo presidentes de grandes empresas.
O meu orgulho é ainda maior, pois, além de ter sido aluno do Internato, fui também diretor da Seção Norte (Unidade Engenho Novo), num momento em que o governo passava a atuar através do militarismo... Foi difícil, mas vencemos e fomos considerados expoentes em educação qualificada. Nada temíamos. As dificuldades eram muitas, mas com muito trabalho conseguimos ultrapassá-las. Confesso que cheguei a ter medo de “sumir”, mas Deus estava ao nosso lado, impedindo que poucos incompetentes pudessem reagir ‘a nossa força e vontade de vencer...
O mundo mudou, e a cada dia que passa recebemos mais e mais desafios. Pelo que tenho recebido de notícias (através de jornais, Internet e outras fontes), o nosso querido Colégio Pedro II continua buscando manter-se à frente do processo educacional brasileiro, mesmo não recebendo a atenção devida do nosso governo...
Sinto não ter mais forças para representar-nos junto aos governantes e dizer-lhes um pouco da nossa história, de nossas vitórias, do nosso orgulho de sermos alunos, transcrevendo-lhes, ainda, as Memórias de um Santuário Educacional, e afirmar-lhes que o Colégio Pedro II deve continuar sendo um marco na educação do presente e do futuro do nosso país, como o foi no passado.
Não devemos esmorecer e aceitar as decisões daqueles que não sabem nem a dignidade nem o significante desta entidade, santuário educacional, deste que enobreceu grandes nomes de nossa literatura e cultura. Devemos aceitar as mudanças como forma de crescimento, mas nunca como formas de encerrar a atividade de algo pelo qual temos respeito, admiração e amor. Afinal, somos ou não soldados da ciência? Qual é a nossa arma? A INTELIGÊNCIA.
“A inteligência não está ligada à sabedoria é algo que conquistamos através dos ensinamentos recebidos...s...”
Cabo Frio, 29/12/2002
Professor Renato Azevedo,
parafraseado por seu filho Roberto Azevedo
(p. 22 – Livro: “Ao Pedro II tudo ou Nada”)
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Greve de bondes – 1956
Num dão momento, o presidente Juscelino Kubitschek, em seu primeiro ano de mandato, vendo da janela do Palácio do Catete a confusão, desceu à rua para parlamentar com os estudantes e resolver á crise`. Era uma época em que o Presidente da República se imiscuía nos problemas municipais do Rio de janeiro, cujo prefeito nomeava.
O movimento de 56 eu acompanhei meio de longe, um pouco assustado, nos meus 12 anos, com aquelas súbitas manifestações contra as lâmpadas e as cortinas de lona que serviam para proteger os ilustres passageiros em dia d chuva.”
Francisco Baker Meio Filho
(p 139 – Livro: “Ao Pedro II, Tudo ou Nada?”)
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“PM VERSUS CPII. As comemorações do término das aulas, já integradas às tradições do CPII, tiveram um final, em 1963, que excedeu às expectativas.
A inconseqüência de uma polícia despreparada para lidar com adolescentes, mesmo considerando que tivessem se excedido, causou um conflito que poderia ter levado a trágicos resultados. A polícia, a título de manter a ordem, agiu desenfreadamente, atirando, espancando e bombardeando, não respeitando, inclusive, a presença de professores, inspetores, meninas e meninos (das primeiras séries do ginásio).
O carnaval começara cedo naquele dia 13, a charanga convocando à concentração dentro do Grêmio, até que como tradicionalmente, saímos em bloco pela R. Barão de Bom Retiro.
A festa transcorria animada, e os transtornos que causava eram aqueles naturais ao trânsito, quando de movimentação extra na rua, mas sem maiores percalços...
Por volta das 17h, nós bacharelandos da 3ª série do curso colegial, nos afastamos, indo para a sala 6 para uma comemoração especial com professores e funcionários, já que estávamos nos despedindo do Colégio.
Foi quando, cerca de meia hora depois, ouvimos um terrível estrondo, seguido de gritos, e saímos correndo para ver o que poderia estar acontecendo.
Deparamo-nos com um tumulto já instalado. \um pouco antes, a vinda de colegas da Sede (Centro) e da Tijuca aumentara o número de jovens no Colégio, e , maior o grupo, maiores também os entreveros. Alguém chamara a polícia e teve início, aí, o desastre. Chegados inicialmente numa joaninha – como era chamado o Fusca policial -, os militares, por pura inabilidade, tentaram entrar no Colégio para prender alguns alunos. O estrondo quem ouvíramos fora provocado por uma bomba de gás lacrimogênio, atirada dentro do Colégio...
Tendo sido rechaçados de pronto com paus e pedras, recuaram e chamaram reforço: 12 viaturas e o batalhão de choque no 183. Revólveres foram sacados, tendo sido disparados seis tiros. E mais bombas de gás lacrimogênio e de efeito psicológico lançadas dentro do Colégio ( fotos tiradas pelo Sr. Jorge Chaia mostram a fumaceira)... Só nos restava a defesa e o conflito se generalizou. A atitude policial só recrudescia nossa represália, agora não mais sob forma de chuva de pedras, pois devolvíamos também algumas granadas, que pegávamos com lenço para não queimar a mão...
A estratégia de paus e pedras e bombas devolvidas perdurou até a chegada da tropa de choque do Exército, chamada pelo professor João Tomás Neto, então diretor da Seção Norte. Tal chamada justificava-se Poe ser o Colégio uma instituição federal...
O conflito serenou somente por volta das 20h 30min, quando, após entendimentos entre o comissário do Distrito Policial, o diretor da SN (prof. Tomás Neto), o diretor-geral do CPII (prof. Roberto Accioli), e nós diretores do Grêmio, foi assegurada a saída dos alunos, livre de mais agressões...”
Paulo Rubem de Souza Valente
(p 327 – Livro: “Ao Pedro II, Tudo ou Nada?”)
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A participação do Pedro II na Revolução Constitucionalista de 1932
O edifício do Externato do Colégio é tombado pelo Patrimônio Histórico, que, periodicamente, reclama da direção da instituição, reformas e procedimentos que julga pertinentes. Jamais recebemos qualquer ajuda material para sua conservação, ao contrário, ofícios impertinentes e sem base na realidade.
Ao assumir a direção-geral do Colégio, o nosso serviço de engenharia alertou-me que a cúpula do Torreão, construída pelo talento de Bittencourt da Silva, discípulo de Grandjean de Montigny, corria o risco de cair, o madeirame que sustentava estava prestes a se desintegrar. Mobilizamos toda a sorte de recursos e, a duras penas, com técnica e cuidado, foi o Torreão erguido com macacos, a madeira substituída e sanado o perigo iminente. Ao visitar as obras, chegando até o torreão veio à minha lembrança um episódio dignificante do alunado do Colégio. Dele não participei, ainda não integrava o corpo de alunos. Contou-me o fato, há muitos anos, envolvendo diretamente o Torreão, o professor Lourival Pinto Cordeiro, ex-aluno do Colégio. Sua narração do episódio comoveu-me e senti, quando a cúpula estava sendo restaurada, que deveria redigir para os nossos atuais e também futuros alunos a beleza daquele momento cívico que alunos e autoridades viveram. Instituí que, em 9 de julho de cada ano, a bandeira do estado de são Paulo seja içada no mastro fronteiro ao torreão, em homenagem e reverência ao gesto dos alunos da Turma de 1932.
O dia corria normal no Externato do Colégio Pedro II quando chegou a notícia de que o Estado de São Paulo erguera-se em armas contra o Governo Provisório de Getúlio Vargas que, desde 1930, protelava a reconstitucionalização do país.
Eclodia a Revolução Constitucionalista de 9 de julho de 1932. Figuras legendárias como o Marechal Isidoro Dias Lopes, os generais Miguel Costa, Euclides Figueiredo e Bertoldo Klinger assumem o comando militar do movimento. As forças vivas de São Paulo são mobilizadas para a luta. Alistam-se os jovens, as mulheres despojam-se de suas jóias, doando ouro para São Paulo.
O Governo Provisório mobiliza o Exército e, a fim de sensibilizar o resto do Brasil, usa da artimanha de que São Paulo é seccionista, quer separar-se do Brasil.
Os alunos do Externato do Colégio Pedro II, principalmente os das turmas dos últimos anos, se empolgam com a Revolução e discutem a melhor forma de demonstrarem sua simpatia pelo Movimento de 9 de julho. Decidem, então, içar a bandeira de São Paulo no mastro externo do Colégio, que fica entre a Avenida Marechal Floriano e a rua Camerino.
As sacadas do edifício enchem-se de alunos que dão vivas a São Paulo e fazem discursos. O Colégio Pedro II se transforma em fortaleza inexpugnável. As portas são fechadas, as janelas da rua Camerino, também.
A polícia não tarda. Cerca o Colégio e tenta a invasão, que é repelida com carteiras arremessadas do alto do prédio.
Soldados da polícia mais ousados, na tentativa de escalar as paredes do Colégio, são feridos, alguns gravemente. O Impasse está criado. Os alunos não cedem, e os policiais, em suas múltiplas incursões, não conseguem êxito na tentativa de retirar do mastro a bandeira de São Paulo.
A noite cai e os alunos ficam em vigília, para não serem surpreendidos.
O Diretor do externato, professor Henrique Dodsworth, permanece no saguão, buscando evitar a catástrofe. Não consegue demover os alunos de seu intento, mas, como prócer da Revolução de 1930, aliado do Governo Provisório, e, acima de tudo, um educador, tenta impedir que seu Colégio seja invadido. O Governo de Getúlio Vargas e seus Tenentes não querem aceitar a rebeldia cívica dos rapazes do Pedro II. Exigem que a polícia encontre solução imediata.
Ao amanhecer, a tensa situação continua. Passam-se as horas e eis que chega para parlamentar com os alunos o próprio Chefe de polícia.
É um dos heróis da Coluna prestes e da Revolução de 30, antigo Tenente Interventor do Estado de São Paulo, João Alberto Lins e Barros. Pernambucano alto, magro, fala mansa, pede a Henrique Dodsworth para deixá-lo parlamentar com os rebeldes. A rapaziada aceita ouvir o legendário tenente. João Alberto, emocionado, fala:
“ Vim pedir a vocês um favor especial e não intimidá-los a se renderem.
Têm o direito de expressar sua opinião e merecem meu respeito. Peço-lhes,
Somente, que me poupem o dissabor e a desonra de mandar invadir o Colégio
Pedro II, quebrar suas quase centenárias portas e violar com a presença de
soldados este recinto de saber e idealismo. Não quero ver manchado meu
currículo revolucionário de integrante da coluna prestes e de lutador desde 1922,
com o estigma e a marca ignominiosa de haver invadido o Colégio Padrão de
minha terra. Poupem-me tal dissabor. Insisto, não mereço tal desonra. Retirarei
as tropas que cercam o Colégio e vocês arriarão a bandeira de São Paulo,
recolocando a do Brasil. Darei salvo conduto a todos que desejarem lutar por
São Paulo, sem que haja qualquer represália.”.
Os alunos do Externato do Colégio Pedro II sentem que as palavras de João Alberto não constituem ultimato e nem os obrigam à desonra da capitulação. São palavras de bom senso, respeitosas para com o Colégio. Recolhem a bandeira de São Paulo, içam a Bandeira Nacional.
No dia seguinte, cortam em pedaços a bandeira de São Paulo, que ficara guardada no Torreão e distribuem entre aqueles que deflagraram o movimento e o lideraram. Guardado, aquele trapo se tornaria relíquia sagrada.
Dois gestos dignificantes: o de João Alberto Lins e barros pedindo que não fosse obrigado a invadir o colégio e dos alunos de 1932 do Externato, que compreenderam os anseios democratizantes de São Paulo e as razões do Tenente ...
Wilson Choeri
(p 156 - Livro: “Histórias do Velho Colégio Pedro II”)
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O Pracinha desconhecido
A Avenida Marechal Floriano, antiga rua Larga de S. Joaquim, onde se ergue o Externato do Colégio Pedro II, hoje Unidade Centro, até a metade da década de 40 era a principal escoadora do trânsito de bondes, ônibus e carros vindos das barcas, que ligavam o Rio a Niterói, e a Praça XV de novembro. Além do tráfego intenso de veículos, milhares de pessoas, diariamente, passavam em direção da Estrada de Ferro Central do Brasil. A localização do Colégio, na confluência da rua Camerino com a Marechal Floriano e defronte à Avenida Passos, tornava obrigatória a existência de um sinal controlador do fluxo de bondes e ônibus e proteção para os alunos ao atravessarem as avenidas. Ao ser projetada e concluída a Avenida Getúlio Vargas, com a demolição das ruas de São Pedro, General Câmara e Senador Eusébio, houve sensível diminuição da importância comercial e do trânsito da Marechal Floriano.
A evolução tecnológica, na sinalização automática, levou o semáforo defronte ao Colégio a ser desativado. Até o velho inspetor de trânsito Amaral não mais cuidava do alunado que atravessara a rua, fora transferido.
O poste permanece até hoje, sem os equipamentos ou luzes. Nem é mais pintado. Tornou-se um espectro, ele que testemunhou tantos fatos. Todas as vezes que vou ao Externato e o vejo, a saudade me faz lembrar que nele subi para poder ver a chegada da Força Expedicionária Brasileira que combateu na Itália e testemunhar a cena que demonstra o imenso amor de ex-alunos pelo Colégio que os educou e os projetou.
O dia amanhece e o sol em sua auto-suficiência começa a iluminar a cidade. Espanta, para além, o resto de noite deixada pela madrugada. A Cidade do Rio de Janeiro é toda uma ânsia incontida, um grito de amor, um testemunho de afeto para aqueles que estão chegando de além-mar... Há dias a população aguarda a chegada dos soldados do Primeiro Escalão da Força Expedicionária Brasileira que lutou nos campo da Itália.
“Por mais terra que percorra
Não permitais Deus que eu morra...
Sem que volte para lá”.
Percorreram o Vale do Pó, galgaram os Apeninos em Monte Castelo, Montese, Fornovo e muitos deles ficaram em Pistóia. Não voltaram para cá. Aqueles que Deus não permitiu que morressem, estão chegando...
A metade da população do Rio de Janeiro, acrescida de paulistas, mineiros, capixabas, fluminenses, concentra-se na Praça Mauá, Av. Rio Branco, Av. Marechal Floriano Peixoto e na Av. Presidente Vargas, ainda em obras. Nunca se viu tanta gente na ruas, nem mesmo no carnaval, nos desfiles das Grandes Sociedades Carnavalescas. A NOITE, o mais alto prédio da América do Sul, na Praça Mauá, todas suas janelas, sem exceção, estão repletas de gente com flores, bandeiras brasileiras e panos brancos.
A que horas chega o navio? Pergunta um. Já chegou no Touring, afirma outro com ar de bem informado. O sol já é de meio-dia e ninguém arreda o pé. O palanque presidencial tampona a Av Presidente Vargas, defronte a Igreja da Candelária. Regurgita de autoridades, até mesmo daquelas que , no passado, foram germanófilas... Eis que ressoam gritos e aplausos na direção da Praça Mauá. Chegaram! Chegaram! É o grito que se ouve. Começa o desfile, é o que se presume. O seu itinerário principal seria a Av. Rio Branco. Apontam os jeeps trazendo o Marechal Mascarenhas de Morais, os generais de seu Estado Maior. A multidão delira, rompe os cordões de isolamento. Não há mais desfile organizado, o que há é confraternização. Soldados são beijados, abraçados... Mães, pais, irmãos e noivas que não localizaram quem esperavam, extravasavam sua emoção nos filhos, irmãos e noivos de alguém.
Os soldados se dispersam, uns seguem pela Av. Rio Branco, outros pela Av. Marechal Floriano.
Eu, que fora recusado como voluntário para a FEB, porque não tinha ainda dezoito anos, deixei a Av. Rio Branco e fui para a porta do Colégio Pedro II. Lá é que era o meu lugar.
As janelas de bedelaria e as sacadas da secretaria estavam apinhadas de funcionários. Na ânsia de poder ver ou tentar reconhecer algum pracinha, trepei na caixa de trânsito que ficava em frente ao Colégio.
Os pracinhas que preferiam a Marechal Floriano vinham em fila indiana. Alguns já abraçados por familiares, outros acenando a esmo... Eis que minha atenção foi despertada então por um pracinha solitário. Trazia seu fuzil Springfield à bandoleira; o seu semblante traduzia a tristeza que lhe ia na alma; tinha o olhar de cão batido. Não encontrara nenhum parente. Provavelmente não saberia o que fazer, nem para onde ir. Caminhava como um autômato. De repente seus olhos se deparam comigo, trepado no poste e fardado com o uniforme cáqui e a gravata preta. Seus olhos se reacenderam e imediatamente se desviaram de mim para o lado. Reconheceu o edifício do Externato. A sua atitude transmuta-se instantaneamente. Rompe a multidão e corre em direção do Colégio aos gritos:
- Pedro II... meu Pedro II querido! Meu Colégio!
Agora, sim tomara consciência que chegara à sua terra, à sua grei. Abraçava chorando quantos encontrava. Gritava histérico: -“Rizeiro, Seu Seixas, Professor Pedro do Couto, Dona Moema, Seu Nogueira!” Todos nós chorávamos, até mesmo o porteiro, Rizeiro, sempre mal-humorado. Ele, o pracinha que não guardei o nome, encontrara sua família. A família do coração, do afeto, da opção, muitas vezes maior que a família biológica. Se fosse o Rezk, o soldado herói mais condecorado pela FEB e pelo Exército Americano, ou o Otávio Costa, que mal saído do Internato do Colégio, ainda tenente, foi para a Itália, ou mesmo João Maurício de Medeiros e Albuquerque, Águia da FAB, que fez seu “último pouso” em Pistóia, e tantos outros, fariam o mesmo...
Quem era o pracinha de quem não guardei o nome? Não importa, era um ex-aluno do Colégio e dele emergia o amor e o carinho pela Casa onde se educou e que lhe marcou a adolescência.
Quem era o pracinha solitário? Insistirão alguns em perguntar. Não importa. Valeu o gesto de reencontro do ex-aluno com seu Colégio...
Wilson Choeri
(p 160 – Livro:”Histórias do Velho Colégio” Pedro II)
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“Ser aluno do Colégio Pedro II é desejo de muitos e privilégio de poucos.”
Luís Antônio Gonçalves Ferreira
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Adeus ao Pedro II
Adeus, ó Casa querida,
Orgulho de minha vida
E de que tanto me ufano.
Guardarei, em minha mente,
Os bons momentos somente
Que me davas todo ano.
Deixarei teu seio amigo,
Levarei sempre comigo
A qualquer parte do mundo
O nome que tu ostentas,
A fama que tu sustentas,
Colégio Pedro Segundo.
Amaury Fernandes da Silva
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CAE – CIÊNCIA E ARTE ESTUDANTIL
NEM PELA ARMAS NEM PELA FORÇA, mas pelo espírito. Este era o lema dos jovens de minha geração que cursaram o Colégio Pedro II. Ainda tenho vivas as lembranças da Seção Norte, no Engenho Novo. Cheguei lá em 1953, para cursar o 3º ginasial, terminando o 3º ano científico em 1957. Eu precisaria de muito tempo e espaço para relatar as ricas experiências com mestres e colegas. Lá aprendi a viver num mundo em constante mutação. Lá aprendi a respeitar as diferenças. Lá aprendi a sonhar. Naturalmente o ardor juvenil, às vezes, dava tonalidades fortes às nossas causas, lutas e anseios. Mas, até hoje, acredito nos valores que me foram passados pelos mestres e continuo convicto que só com paixão se alcança um objetivo nobre. Enfim, no Colégio Pedro II aprendi minha maior lição: eu era um cidadão.
Não vou falar, neste texto, de minhas lembranças afetivas, de meu trabalho junto ao Grêmio Literário e Esportivo Pedro II ou à Academia de Ciências e Letras Pedro II onde ocupei a cadeira no 23, tendo por patrono José Veríssimo; ou das minhas primeiras experiências no campo da música e do teatro, de meu engajamento com os grandes clássico nacionais e estrangeiros, tendo por guia professores que eram verdadeiros agitadores culturais; nem dos colegas com quem compartilhava meus ideais de um futuro mais justo para a sociedade brasileira. Vou comentar, apenas, uma iniciativa jornalística que surgiu no Colégio Pedro II, Seção Norte, e que durou cinco anos: o jornal/revista CAE – Ciência e Arte Estudantil.
A imprensa estudantil, naquela época, era extremamente desenvolvida. Havia intercâmbio entre os vários órgãos semelhantes espalhados por todo o país. Existia, inclusive, uma Associação de Imprensa estudantil. O próprio Grêmio Literário e Esportivo Pedro II (da Seção Norte) tinha o seu jornal, chamado A Chama .
Em AGOSTO DE 1956 saiu o primeiro o número da CAE, num formato de 23cm x 16,5cm, com 12 páginas, formato este que se manteve até a última edição. Duas alterações, porém, ocorreram: o aumento do número de páginas e capas com um papel de melhor qualidade. Para as capas, desenhos eram especialmente criados e assinados por Shogi Kamei, aluno da Seção Norte e nosso colega de turma. A Revista, em seu primeiro número, era voltada somente para a Seção do Engenho Novo, mas já no segundo número sua abrangência alcançou todo o Colégio Pedro II (Externato e Internato) e, a partir dos seguintes, já tinha uma orientação editorial voltada para todos os colégios secundaristas do Rio de Janeiro.
Os fundadores da CAE foram Amauri Sólon Ribeiro, Charlie Chan e eu. Mais tarde, outros estudantes assumiram funções de diretoria, redação, revisão e parte administrativa. Consultando os expedientes da Revista posso citar, em ordem de surgimento nos sucessivos números: Paulo Sucena, Maria José Sobral Vieira, Wilson Ferreira Hargreaves, Miguel Chalub, Henrique Zettel, Raul Cláudio, D. E. Brandão, Elísio Medeiros Pires Filho, José Dias dos Santos Vilhena, Artur Nusman, Walter Rung, Mario Roberto Malecha, Edson Garcia Ferraz, Fernando José Marques, Amaury Padrão, Humberto Navarro, Ibrahim Zeitone, Walter Ruy Pinho, Maurílio Sepúlveda, Alfem Luiz do Nascimento, Niobe Pombo Santos, Marly Bin, Wilson da Cunha Carvalho, Pedro Jorge, Jorge Motta, Moacir B. T. da Cunha, Fernando C. A. Guedes, Roberto Tacuchian, Wilson Leandro Borges, Ely Sant`Anna e Marília Leite Washington.
Posso acrescentar a este nomes muitos colaboradores que escreveram artigos, reportagens ou eram responsáveis por seções da Revista. Alguns professores também figuraram entre os colaboradores ou como entrevistados, como Jairo Bezerra, José de Sá Roriz, Newton de Barros, Marques Leite, Almeida Cousin, Iliete de Almeida e Carlos Marie Cantão.
O derradeiro número 11 da CAE saiu em outubro de 1960. O período compreendido entre 1956 e 1960 correspondeu ao governo Juscelino Kubitschek (que governou até 1961). Foi um período de transição e certa instabilidade no Brasil e no exterior (...)
(...) PELO SIGNIFICADO ESPECIAL para a memória daqueles anos dourados, transcrevo a notícia sobre a “Academia de Ciências e Letras Pedro II”, publicada no no 2, de setembro de 1956:
- No dia 5 de setembro de 1955, os alunos do tradicional Colégio Pedro II (Externato e Internato), sentindo falta de uma atividade cultural extracurricular de maiores proporções, fundaram, por intermédio de seus colegas Bento José Sobral Vieira, Miguel Chalub, Wilson Hargreaves, Ricardo Tacuchian, e Roberto Francisco Marchesini, uma Academia de Ciências e Letras. Este órgão cultural, composto de 40 membros, escolhidos, segundo processo seletivo, entre os alunos do Colégio Pedro II, tem como finalidade desenvolver o interesse pelas Ciências, Letras e Artes, por meio de debates, concursos, conferências e visitas de caráter cultural. Os fundadores dirigiram os trabalhos da Academia até o preenchimento de 25 vagas, aprovando os Estatutos definitivos e promovendo a primeira eleição para a nova diretoria.
“Eleita, tomou posse no dia 1º de maio do corrente ano e é constituída dos seguintes elementos: Henrique Czamarka, Miguel Chalub, Nathanael da Costa Clerck e Geraldo Pinto Vieira, respectivamente Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Diretor do Arquivo da ACLEP II (...)
(...) A CAE ENCERROU sua carreira com o no 11 (set/out de 1960). Nova década estava começando. O estudantes dos tempos da CAE já estavam em universidades ou inseridos no mercado de trabalho. Aqueles sonhos juvenis, retratados ao mesmo tempo de modo ingênuo e autêntico, seriam esmagados por um longo período de autoritarismo perverso e humilhação para a inteligência brasileira. Eram mulheres e homens que forjaram sua personalidade e sua cidadania nos bancos escolares do Colégio Pedro II, mas que foram frustrados pelos tempos de intolerância e desrespeito aos direitos fundamentais do homem e da sociedade brasileira. Exatamente o contrário do que tínhamos aprendido com nossos mestres.
Ricardo Tacuchian
p. 307 – Livro: “Ao Pedro II,Tudo ou Nada?
Memórias do Cotidiano no CPII, anos 50, 60 ...”
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GRÊMIO LITERÁRIO E ESPORTIVO PEDRO II
Não há como falar do Colégio Pedro II/SN sem se falar do Grêmio Literário e Esportivo Pedro II. Paralelas ou entrelaçadas, suas siglas estão sempre presentes em nossas histórias. Nosso Grêmio onde aprendemos a atuar politicamente, onde se forjaram lideranças, onde conquistamos valores. Nosso Grêmio cidadão Mas também nosso Grêmio das festas juninas e dos bailes – de organização impecável e bastidores imperdíveis! Nosso Grêmio irreverente.
O Grêmio nos tornou adultos melhores.
Mirian da S. Cavalcanti
p. 97 “Ao Pedro II, Tudo ou Nada?
Memórias do Cotidiano no CPII, anos 50, 60 ...
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Nos anos 50 e 60 os Grêmios estudantis eram muito atuantes, com destaque para os das quatro Seções do CPII Externato: Centro, Norte, Humaitá e Tijuca e, o do Internato.
Paulo Rubem
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A Paixão de ser Aluno do Colégio Pedro II
Quando entrei no CPII, um misto de alegria e apreensão apoderou-se de mim. Senti-me diferente. Começava ali — hoje sei, mas não imaginava — um eldorado de experiências, amizades, coleguismo e democracia. O maior exemplo, posso sem erro afirmar, de exercício de democracia. Se existia qualquer tipo de discriminação, ela era prontamente anulada pela maioria, que fazia questão de defender, de preservar a grande utopia que é a igualdade.
Hoje, muitos anos depois, solicitado a escrever sobre a Paixão de ser aluno do Colégio, encontro-me na mesma situação que Amaury (Padrão Ferreira) descreve no livro escrito por 29 ex-alunos (Ao Pedro II, Tudo ou Nada?, Memórias do Cotidiano no CPII, anos 50, 60...): "Quando pensei em escrever sobre o amor pelo Colégio Pedro II, pensei em escrever um clássico! E me senti fraco, carente, incapaz!".
É realmente muito difícil resumir uma vivência plena de sensibilidade, solidariedade, dignidade, lealdade, companheirismo ...
Falar do amor pelo Colégio é falar da irreverência dos alunos, e ao mesmo tempo do respeito aos nossos grandes mestres e aos funcionários, que nos transmitiram ensinamentos, levando-nos a pensar e repensar.
Ali aprendemos a transformar desafios em oportunidades.
Não fomos participantes do imobilismo reinante, éramos dinâmicos, participamos de movimentos que modificaram a vida do povo deste país.
As discussões aconteciam, as discordâncias surgiam e até o consenso aparecia.
A teoria estava formada, faltava a prática e com ela a confirmação: recebemos naquele Templo do Saber conhecimentos que nos facilitaram enfrentar os caminhos da sobrevivência.
Na tentativa de retratar o sentimento que temos pelo nosso CPII recorro a outro Amauri (Fernandes da Silva), que na sua "Ultimas Saudades" escreveu:
Ao nosso Pedro II
Busquei na noite, a madrugada em meio,
quando o silêncio fala de saudade,
desta saudade que ao meu peito veio,
lembrar-me em sonhos minha mocidade.
Para rever-te, altivo e solitário,
cerradas as portas para o mundo afora,
como a guardar, em doce relicário,
Pedro Segundo, os sonhos meus de outrora.
.............................
Ah, Deus, meu Deus da juventude eterna.
A fonte milagrosa vim buscar!
E esta saudade doce que se interna
dentro em meu peito é que me faz chorar!
....................................
Deus, meu Deus, quanta saudade!
Meu Deus, por que envelheci?
Se ao lembrá-lo, na verdade,
Sou menino não cresci!
Jesus, dizei-me a verdade:
quando eu deixar este mundo,
haverá na eternidade
um outro Pedro Segundo?
Recordar é viver, diz o poeta, e para isso, nós, "Eternos Alunos", como diz Ovídio Guilhon, temos sempre criado as mais diversas formas de reencontro. Quer seja na Associação de Ex-alunos, quer seja em encontros marcados.
A primeira reunião, com oito ex-alunos, foi no antigo restaurante Paisano, em 1975 ou 1976, onde ficou combinado que por ser aquela a quarta quarta-feira do mês, todas as outras reuniões seriam neste mesmo dia.
Era pouco, e, criamos novos encontros, um no meio do ano, que chamamos de Encontro de Inverno (no Rincão Gaúcho, na Tijuca, no primeiro sábado de Julho), e os três do Final de Ano: no Rincão Gaúcho (último sábado de novembro); CPII S. Cristóvão (primeiro sábado de dezembro), e CPII Engenho Novo (primeiro domingo de dezembro).
Nesse almoços lembramos as nossas histórias, bagunças, tristezas, saudades, sucessos. Confraternizamos, também, com professores e funcionários, e, como diz Ovídio, "o que nos intriga, mais que o fato de tanta gente continuar a se encontrar anualmente mais de 40 anos depois de iniciado o grupo, é a eliminação das sutis diferenças entre gerações, que costumam restringir a amizade aos membros de uma turma.".
Sabemos que o reencontro não é nosso privilégio, e que o amor também não, mas não temos dúvida de que o nosso é inusitado, incomum: nesses encontros novas amizades se estabelecem entre ex-alunos que não se conheceram quando estudantes, ex-alunos de gerações diferentes, de Unidades diferentes. Estudar no Colégio Pedro II significa a magia de continuar criando laços de amizade numa família que persiste em se desdobrar. Até a Eternidade.
Nosso hino diz ... Nós trazemos no olhar o lampejo
De um risonho e fulgente porvir.
Nossa Tabuada afirma "— Ao Pedro II, tudo ou nada?
— Tudo!”
Ao nosso Colégio Pedro II, ao nosso Colégio Padrão. Toda a nossa gratidão, todo o nosso amor!
Paulo Rubem de Souza Valente
Jornal de bairro (Diretora-ex-aluna Maura Nogueira- "BEM FORTE"-
dez/2005 - p. 19
* "Colégio Pedro Segundo
De Famosa Tradição
Só tu glória do mundo
Pulsa no meu coração"
José Carlos Tomás Moura
2a. série ginasial - 2o. F - 1953